Questão de opinião: O desafio do digital e a profissão estagiário

Enquanto escrevo esse post, ainda não sei se deveria fazê-lo. Não porque não ache que tenha razão de falar o que quero falar, mas por não ter muita experiência (ou autoridade) para falar sobre isso – mesmo lendo, pesquisando e estudando há um tempo. No entanto, devido às circunstâncias pessoais – vários acontecimentos na semana coincidiram de me motivar a escrever sobre isso -, acho necessário falar para tirar esse peso de mim: muitas empresas ainda não entenderam o digital, e quem sofre é quem está começando agora.

Comecei a enviar currículos na metade do primeiro semestre deste ano. Desde então, participei de quase 10 entrevistas (estagiei por três meses numa agência). Mas antes mesmo do processo da entrevista em si, é possível perceber que grande parte das próprias agências ainda não compreenderam como funciona a presença online das marcas. É muito comum se deparar com anúncios de vagas de estágio que listam as atividades como: 1) criação de textos e imagens para as redes sociais; 2) fazer publicações no Facebook, Twitter, Instagram, Pinterest e LinkedIn; 3) SAC – “responder aos comentários e inbox”; 4) monitorar o engajamento e interação dos seguidores; 5) análise de métricas/dados; 5) criar posts para o blog da agência ou das marcas clientes.

Qualquer estudante pode comprovar essa lista e muitos profissionais que trabalham em (certas) agências podem também – afinal, são eles que pedem isso tudo. Destrinchando: o ESTAGIÁRIO (!) precisa ser redator (para criar os textos), designer (para criar e adaptar as imagens nas diferentes plataformas), community manager (para gerenciar as redes sociais), atendente (para responder e se relacionar com os usuários); analista de monitoramento (para observar o que os usuários estão falando), analista de métricas (para exportar os dados, produzir análises e relatórios) e jornalista (para criar textos para blogs). Mas, pior do que exigir (tantas) diferentes funções de um mesmo profissional (nem sei se estagiário é profissional ainda), é pensar que o digital pode ser feito de qualquer jeito.

Um post no Facebook precisa de tanta atenção de diversas áreas quanto um anúncio de outdoor numa estação de metrô – a diferença é que o primeiro provavelmente vai ser mais barato, é passível de mensuração em tempo real e pode trazer mais resultados concretos. Mas parece que as empresas só veem o fato de ser menos custoso e acham que, por isso, merece menos atenção. Contratar um estagiário para “tocar uma página no Facebook” é a mesma coisa de pedir para um sobrinho fazer o site da empresa. O digital também merece – e precisa – de planejamento, análise, produção qualificada, profissionais de excelência. Não é só fazer um post por dia na página, replicar o conteúdo nas outras plataformas, receber (cada vez menos) likes e achar que tá ok – isso é perda de recursos, tempo e dinheiro.

Eu entendo que isso não é um mal “contra” os estagiários, é um problema da área que ainda precisa amadurecer muito. Mas como os estagiários estão na base de toda a hierarquia, eles que (geralmente) acabam sofrendo com a má organização de todo o escopo de trabalho – que precisa ser dado mais atenção. A presença digital é uma vertente da estratégia de comunicação de um negócio e precisa ter um propósito, não adianta estar por estar. Talvez (algum)as empresas ainda precisem se reorganizar para então contratar estagiários para auxiliar numa atividade específica. Afinal, estagiário entra para aprender, não para “tocar” um projeto tão importante sozinho.

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